Reflexões Metafísicas
Por Que Existe Tanto Sofrimento Depois da Morte?
Entenda por que a falta de preparação, o medo e o apego podem causar sofrimento depois da morte e como preparar a consciência para o desencarne.
Por Prof. Tibério Z
Existe tanto sofrimento depois da morte porque muitas pessoas chegam ao desencarne sem compreender o que está acontecendo. A falta de preparação, o medo e o apego à vida material podem confundir a consciência e mantê-la presa a situações negativas. Não se trata de crueldade do Criador, mas das condições interiores que a própria pessoa carrega.
Neste artigo, você vai entender o que pode acontecer quando a consciência deixa o corpo, por que pessoas diferentes reagem de maneiras tão distintas ao desencarne e como o conhecimento espiritual pode reduzir a confusão diante da morte.
Continue a leitura para compreender por que a preparação para a morte começa durante a vida. Assim como organizamos uma viagem antes de partir, também precisamos preparar nosso interior para reconhecer o desencarne como um processo natural.
A morte é inevitável e precisamos nos preparar
O Livro Tibetano do Bardo apresenta uma visão muito séria: a morte é inevitável e, por isso, devemos nos preparar para ela. Não adianta fingir que o desencarne nunca acontecerá ou evitar qualquer conversa sobre o assunto.
Se não desenvolvemos uma compreensão espiritual durante a vida, o momento da morte pode produzir muita confusão. A consciência pode deixar o corpo sem entender onde está, o que aconteceu ou como deve agir diante da nova realidade.
Preparar-se para a morte não significa viver com medo. Significa reconhecer que o desencarne faz parte da existência e procurar compreender esse processo antes que ele aconteça.
O momento em que a consciência deixa o corpo
Imagine que eu sofra um acidente de carro e meu corpo deixe de funcionar imediatamente. Nesse momento, minha consciência é ejetada para fora do corpo. O processo de saída é semelhante ao que acontece em uma projeção, mas existe uma diferença fundamental: dessa vez, não consigo mais retornar ao corpo físico.
Posso olhar para o chão e ver meu próprio corpo destruído pelo acidente. Se eu nunca ouvi falar sobre espiritualidade, projeção ou continuidade da consciência, essa experiência pode provocar um grande choque.
A pessoa pode entrar em desespero porque ainda se sente viva, mas vê o próprio corpo sem vida. Ela não compreende como pode continuar consciente depois que o corpo deixou de funcionar.
Muitas possibilidades podem surgir depois da saída do corpo
No momento do desencarne, diferentes situações podem acontecer. Um portal pode aparecer, mentores espirituais podem se aproximar ou a pessoa pode ser amparada antes mesmo de compreender completamente o acidente.
Em alguns casos, os mentores podem apagar a consciência nos momentos anteriores ao acidente e conduzi-la diretamente para um hospital espiritual. Em outros, a pessoa pode permanecer consciente, caminhar pela cidade ou continuar próxima do lugar onde desencarnou.
Também existe a possibilidade de a consciência encontrar seres obsessores que tentem aprisioná-la. Não há apenas um acontecimento possível depois da morte. Existem muitas possibilidades, e a maneira como a pessoa reage pode influenciar profundamente aquilo que acontecerá.
A consciência determina como reagimos
O conhecimento e a consciência espiritual fazem uma grande diferença no momento do desencarne. Uma pessoa que nunca considerou a possibilidade de continuar consciente fora do corpo pode entrar em pânico ao perceber que morreu.
Por outro lado, quem conhece esse processo pode observar o próprio corpo e compreender: “Saí do corpo, tentei retornar, não consegui. Portanto, morri.” Essa compreensão não elimina todas as dificuldades, mas evita parte da confusão.
Se a pessoa possui um pouco mais de profundidade espiritual, também sabe que um mentor pode aparecer ou que um portal pode se abrir. Quando isso acontece, ela reconhece a oportunidade de auxílio e consegue seguir adiante.
O conhecimento espiritual reduz a confusão
Os tibetanos ensinam que devemos nos preparar para a morte porque ela acontecerá com todos nós. Precisamos ler, pesquisar e buscar uma compreensão mais profunda sobre o desencarne enquanto ainda estamos no corpo físico.
Quando compreendemos que a morte é um processo natural, diminuímos a possibilidade de permanecer presos a fluxos e correntes negativas. A consciência preparada consegue reconhecer com mais facilidade o que está acontecendo.
Algumas pessoas desencarnam, percebem a presença de um mentor e perguntam tranquilamente o que aconteceu. Quando recebem a resposta de que morreram, aceitam a situação e seguem adiante. Elas já haviam considerado essa possibilidade durante a vida.
O apego pode manter a consciência presa
Nem todas as consciências conseguem aceitar o desencarne. Algumas continuam repetindo que a casa lhes pertence e permanecem ligadas ao imóvel onde viveram. Mesmo sem o corpo físico, ainda agem como se fossem proprietárias daquele lugar.
Existem casos em que uma consciência permanece durante trezentos ou quatrocentos anos ligada a uma casa. O imóvel pode estar abandonado e caindo aos pedaços, mas ela continua ali porque não conseguiu abandonar a identificação com aquilo que possuía.
O apego à casa, aos bens e à vida material pode dificultar a continuação do caminho. Quando a pessoa não aceita que aquela etapa terminou, ela mesma cria uma prisão para sua consciência.
O sofrimento no plano astral não representa crueldade
Poucas pessoas observam a sociedade e perguntam quem realmente está preparado para a morte. A maior parte está preocupada com possuir, acumular e conservar aquilo que conquistou no mundo material.
Essa falta de preparação ajuda a compreender por que existem tantos casos de sofrimento no plano astral e nas regiões chamadas de umbral. Muitas consciências chegam a essas realidades sem entender que desencarnaram ou sem aceitar que precisam abandonar seus antigos apegos.
Não é porque o Criador seja cruel. O sofrimento acontece porque as pessoas não se prepararam. Elas chegam ao desencarne carregando medo, confusão e a tentativa de continuar vivendo exatamente como viviam no corpo físico.
Preparar-se para a morte é como preparar uma viagem
Se eu sei que vou viajar para o Japão, preparo minha mala, compro minha passagem e organizo aquilo que será necessário. Eu não espero chegar o momento da partida para descobrir que precisava me preparar.
Essa viagem é uma metáfora para o desencarne. Se sabemos que um dia deixaremos o corpo, também podemos preparar nosso interior, nossas compreensões e nosso psicológico para esse momento.
A preparação não é material. Não colocaremos objetos em uma mala. Levaremos aquilo que desenvolvemos em nossa consciência: compreensão, tranquilidade, desapego e capacidade de reconhecer o que está acontecendo.
A preparação começa durante a vida
Aquilo que chamamos de pós-vida depende, em grande parte, da preparação realizada antes da morte. É durante a vida que podemos estudar, refletir e compreender que não somos apenas o corpo físico.
Quando chegar o momento do desencarne, essa preparação permitirá uma reação diferente. Em vez de entrar em desespero, a pessoa poderá reconhecer que deixou o corpo, aceitar o auxílio dos mentores e continuar seu caminho.
A morte é inevitável. Por isso, compreender o processo não deve ser uma preocupação deixada para o último momento. Preparar a consciência agora pode evitar medo, apego e sofrimento quando essa passagem finalmente acontecer.
Perguntas frequentes sobre o sofrimento depois da morte
Grande parte desse sofrimento acontece porque muitas pessoas desencarnam sem compreender o que está ocorrendo. O medo, a confusão e o apego à vida material podem manter a consciência presa a situações negativas.
A consciência percebe que está fora do corpo e não consegue mais retornar. Nesse momento, podem aparecer mentores, portais ou outras possibilidades, dependendo das condições encontradas e da forma como a pessoa reage.
O conhecimento permite reconhecer a morte como um processo natural. A pessoa entende que deixou o corpo, reduz o desespero e consegue identificar com mais facilidade a aproximação de mentores ou o surgimento de um portal.
Sim. A consciência que permanece muito ligada à casa, aos bens e à vida material pode continuar próxima desses lugares, agindo como se ainda possuísse aquilo que deixou no mundo físico.
Podemos estudar, refletir sobre o desencarne e desenvolver uma compreensão espiritual mais profunda. Essa preparação interior ajuda a diminuir o medo, aceitar a passagem e evitar que a consciência fique presa a correntes negativas.
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Sobre o autor
Prof. Tibério Z tem mais de 30 anos de experiência no estudo e ensino da espiritualidade, metafísica, terapias holísticas e desenvolvimento da consciência.