Reflexões Metafísicas

Você Sofre Porque Não Entende Como a Vida Funciona

Entenda por que a falta de sabedoria, o apego e a tentativa de controlar pessoas e ciclos aumentam o sofrimento.

Prof. Tibério Z

Por Prof. Tibério Z

Nós sofremos porque não compreendemos como a vida funciona. Quando Buda afirmava que a ignorância é a causa do sofrimento, não falava apenas da falta de livros ou cursos. Ele falava da incapacidade de ler a vida, aceitar suas regras e acompanhar seu fluxo.

Neste artigo, vamos compreender a diferença entre inteligência e sabedoria, por que o apego nos faz sofrer e como o dharma e o karma aparecem em nossas escolhas. Também veremos por que pessoas e objetos não nos pertencem e por que a vida nunca será completamente linear.

Continue a leitura para perceber os ensinamentos que a própria existência repete todos os dias. Quando aprendemos a observar esses sinais, diminuímos a luta contra aquilo que não podemos controlar e começamos a viver com mais compreensão.

A ignorância que causa sofrimento não é falta de estudo

Buda falava que a ignorância é a causa de todo sofrimento. Porém, que ignorância é essa? Seria a falta de livros, cursos ou conhecimentos acumulados? Não. Ele falava sobre a sabedoria desenvolvida por quem já viveu muito, errou muitas vezes e carrega inúmeras cicatrizes. A pessoa passou por tantas experiências que começou a compreender aquilo que a vida procura ensinar.

Não basta guardar informações. Podemos conhecer teorias, repetir conceitos e continuar cometendo os mesmos erros. A ignorância permanece quando não conseguimos olhar para a experiência e compreender o que ela está mostrando.

Inteligência e sabedoria não são a mesma coisa

Inteligência é a capacidade de resolver problemas. Uma criança pode nascer com grande habilidade matemática, artística ou com facilidade para aprender determinadas coisas. Ela pode ser muito inteligente mesmo sem ter vivido muitas experiências. A sabedoria é diferente. Sabedoria é a capacidade de ler e compreender a vida. Ela nasce quando observamos o que acontece, reconhecemos os padrões e deixamos que os erros nos ensinem alguma coisa.

Quanto menor nossa capacidade de interpretar a vida, mais sofremos. Não porque a existência queira nos castigar, mas porque insistimos em esperar dela algo que ela nunca prometeu oferecer.

A vida mostra que não somos donos de nada

Desde o momento em que chegamos ao planeta Terra, vemos pessoas indo embora. Também percebemos que todos deixam aqui os títulos, as posses e tudo aquilo que conquistaram durante a vida.

O que a vida está mostrando? Que não somos donos de nada. Podemos usar um objeto, cuidar dele e mantê-lo conosco durante algum tempo, mas isso não o transforma em uma posse eterna.

Mesmo assim, criamos apego e repetimos: “Isso é meu.” Quando alguma coisa quebra, rasga, cai no chão, é roubada ou desaparece, sofremos porque acreditávamos que ela nos pertencia para sempre. O apego entra em conflito com uma regra que a própria vida demonstra diariamente.

Pessoas também não possuem donos

Ninguém é dono de ninguém. Um amigo, um parceiro ou uma parceira compartilha momentos conosco, mas continua tendo livre-arbítrio. Essa pessoa pode escolher ficar e também pode escolher ir embora, assim como nós podemos fazer o mesmo.

Quando compreendemos que as pessoas entram e saem de nossa vida, a partida continua podendo causar dor. Porém, existe uma compreensão maior, e essa compreensão diminui o sofrimento. Sabemos que aquele movimento faz parte da existência.

O sofrimento aumenta quando transformamos alguém em propriedade. Começamos a acreditar que a pessoa nos pertence, deve permanecer conosco e tem a obrigação de oferecer aquilo que desejamos. Nesse momento, a convivência deixa de ser compartilhamento e se transforma em posse.

A posse aumenta nossas cobranças

Quando acreditamos que alguém nos pertence, também começamos a cobrar. Esperamos que a pessoa aja como desejamos, corresponda às nossas expectativas e faça determinadas coisas por nós. Essa cobrança nasce da ideia de posse. Porém, ninguém é obrigado a fazer nada por nós, e todas as pessoas possuem livre-arbítrio para compartilhar parte do caminho ou seguir em outra direção.

Se compreendemos isso, diminuímos nossas cobranças. Aproveitamos aquilo que está sendo vivido sem transformar o outro em propriedade. As pessoas vêm, entram em nossa vida e também podem sair. Quando reconhecemos esse movimento, entendemos que a única coisa que realmente nos acompanha é nossa própria consciência.

Dharma é o fluxo da vida

Dharma é o fluxo da vida, a lei da vida e a regra do jogo. É a maneira como as coisas funcionam. Quanto mais compreendemos essas regras, menos sofremos.

Uma dessas regras é que nada nos pertence para sempre. Outra é que ninguém pertence a ninguém. Pessoas, objetos e situações chegam, permanecem durante algum tempo e depois podem ir embora.

Quando vivemos de acordo com esse movimento, não precisamos fingir que nada possui valor. Podemos cuidar daquilo que temos e amar as pessoas que estão conosco. A diferença é que paramos de exigir que tudo permaneça sob nosso controle.

Karma não é um castigo

Muitas vezes interpretamos o karma como uma punição. Porém, karma não é um castigo enviado porque fizemos alguma coisa errada. Ele aparece quando insistimos em caminhar contra o fluxo da vida.

Se a vida mostra que nada é permanente e eu continuo repetindo “isso é meu”, estou criando apego. Quando o objeto quebra ou desaparece, sofro porque tentei impor permanência a algo que poderia ir embora.

Tenho uma touca que meu cachorro mordeu. Se fico olhando para ela e lamentando: “Minha touca, minha touca”, o sofrimento nasce do apego. O cachorro mordeu o objeto, mas fui eu quem transformou aquela perda em uma luta contra a realidade.

O apego transforma relacionamentos em propriedade

O mesmo processo pode acontecer nos relacionamentos. Eu me caso com alguém e começo a acreditar que aquela pessoa é minha. Passo a tratá-la como propriedade e imagino que ela deve oferecer amor apenas a mim.

Depois de cinco ou dez anos, a pessoa pode se cansar, pegar suas coisas e ir embora. Nesse momento, em vez de reconhecer o livre-arbítrio, repito que ela era minha. Posso até procurar uma amarração porque ainda acredito que tenho o direito de obrigá-la a voltar.

Mas onde a vida escondeu essa regra? Em nenhum lugar. Desde o começo, ela mostra que as pessoas vêm e vão. O sofrimento aumenta quando nos recusamos a enxergar aquilo que sempre esteve diante de nós.

A natureza mostra que tudo é cíclico

A natureza também nos ensina que tudo é cíclico. Temos manhã e noite. O Sol se põe, a Lua aparece e depois um novo dia começa. Temos verão, outono, inverno e primavera, seguidos novamente pelas mesmas estações.

Tudo o que observamos na natureza passa por ciclos. Esse movimento também aparece no Hermetismo. A existência não segue uma linha reta que avança sempre na mesma direção.

Mesmo assim, queremos uma vida completamente linear. Esperamos crescer sem recuar, ganhar sem perder e viver apenas momentos favoráveis. Tentamos impor linearidade a uma existência que funciona por ciclos.

Exigir uma vida linear produz sofrimento

Nossa vida terá períodos de expansão e recolhimento, encontros e despedidas, ganhos e perdas. Quando não compreendemos esse movimento, interpretamos cada mudança como se alguma coisa estivesse errada. A sabedoria começa quando aprendemos a ler esses ciclos. Percebemos que uma fase difícil não representa toda a existência e que um momento favorável também não permanecerá para sempre.

Sofremos quando lutamos contra as regras da vida e tentamos impor uma linha reta a uma existência cíclica. Quanto mais observamos, interpretamos e acompanhamos seu fluxo, menor se torna essa luta. A vida mostra como funciona por meio de suas mudanças e repetições. Nós é que precisamos aprender a enxergá-la.

Perguntas frequentes sobre sabedoria e sofrimento

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Prof. Tibério Z

Sobre o autor

Prof. Tibério Z tem mais de 30 anos de experiência no estudo e ensino da espiritualidade, metafísica, terapias holísticas e desenvolvimento da consciência.